Escravidão Econômica

sexta-feira, abril 10, 2009 posted by Mauro Sérgio Rodrigues

Ao que eu saiba, meu bisavô foi fazendeiro, no município de Campanha, do Estado de Minas Gerais. Lá possuía um canavial e um engenho para moagem de cana e a conseqüente produção de açúcar, rapadura, aguardente, etc. Também meu avô fora fazendeiro em Pinhal, proprietário da Fazenda Pinhalzinho, uma das melhores da região, a qual foi vendida, posteriormente, para o Grupo Moreira Sales, então proprietários de uma casa bancária, em Poços de Caldas. Por muitos anos, meu pai e meus tios ali labutaram na lavoura cafeeira. Meu saudoso pai também trabalhou e muito lutou com a fazenda de café, denominada “São Bento”, também em Pinhal. Eu, por herança de meus sogros, acabei me tornando fazendeiro de citrus, no município de Aguaí, onde resido atualmente.Vejam, caros leitores, são quatro gerações, labutando com a ingrata agricultura. São decorridos quase ou mais de trezentos anos de eternas esperanças, visando algum progresso na lida das terras. Os agricultores alimentam a esperança de que no próximo ano as coisas vão mudar para melhor. Pura ilusão! Comparamos a situação como se colocarmos uma espiga de milho na ponta de um bambu, amarrando este no pescoço de um burro, logo à frente. O animal caminhará para comer a espiga, mas nunca alcançará o quitute, já que ele se afastará cada vez que o asno avançar.

Sinto-me em condições de afirmar que tanto meu bisavô, como meu avô, meu pai e eu próprio nunca conseguimos tocar as lavouras sem recorrer a empréstimos bancários, mediante juros elevadíssimos, sendo que nem sempre as produções agrícolas cobrem as dividas. Como recursos, tiramos de um banco e saldamos o outro com prazo a vencer. Sou sabedor de agricultores que perderam suas propriedades que estavam penhoradas aos bancos, vorazes nos seus direitos contratuais.

Estamos assistindo, passíveis, o nosso Brasil atravessar um período de recessão. O povo, o comércio, as indústrias, estão descapitalizados. Ninguém tem dinheiro sobrando. Não presenciamos negócios de vulto. Uns querem vender, mas, outros não dispõem de dinheiro para comprar. Certo é que a inflação diminuiu de velocidade, porém, caminha devagar e sempre. Temos sentido a carga tributária nos esmagar. Nestes últimos dez anos o brasileiro está pagando 341% a mais de impostos governamentais. Se em 1993 o povo pagava R$ 700,00 de imposto, agora está pagando mais de R$ 3.000,00. Financeira e economicamente o Governo engordou, porém, o povo (sofrido) emagreceu.

Em verdade, a situação brasileira é temerária. Estamos com 10.000.000 desempregados e 250000 recém-formados na expectativa de colocação.

Bem, prezados leitores, estou recorrendo a este intróito com o propósito de demonstrar meu inconformismo com os lucros exorbitantes dos Bancos. Leio, diariamente, os jornais e sempre estou deparando com os balancetes bancários, revelando lucros impressionantes: – “Banco lucrou 14 bilhões com a ajuda de juros altos” — “Itaú tem ganho recorde de R$3, 15 bilhões de reais”.

Observem os leitores que os Bancos recebem nossos depósitos e nos pagam juros irrisórios (mais ou menos cerca de 1%). Juntando os múltiplos depósitos dos correntistas, esses Bancos auferem lucros extraordinários com financiamentos aos interessados. Em resumo os Bancos jogam com o dinheiro dos clientes.

Quando o Lula assumiu a Presidência da República eu e, creio que milhares de pessoas, estávamos na expectativa de que o P.T. derrubasse essa aberração financeira, beneficiando os Bancos. Tivemos frustração ao constatar que o Lula e o P.T. não se dispuseram a enfrentar os tubarões.

Há tempos li nos jornais que durante uma reunião da “FEBRABAN” o saudoso Amador Aguiar (Bradesco) assim se expressou: – “Gente, nós estamos ganhando muito Vamos ter dó da pobreza — Vamos baixar nossos juros”. Nessa altura da reunião o Presidente encerrou a sessão. Ninguém quis ouvir mais nada. Paz ao Sr. Amador.

Atentem, senhores leitores, que mesmo sendo os Bancos uma entidade altamente lucrativa, recebendo, diariamente, centenas de clientes, boa parte de idosos e de mulheres, no entanto, não oferecem aos mesmos alguma instalação sanitária, àqueles que permanecem por horas nas filas. Os senhores Deputados e os Vereadores não percebem isso, ou não querem se envolver. Por isso, nas próximas eleições, pense e reflita bem antes de votar nesses políticos.

Fonte: A Gazeta de Aguaí – Edição de Sexta-feira, 19 de março de 2004.

Nota do Editor do Site: O proeminente Dr. BENEDITO SIDNEY ALCÂNTARA é Delegado de Polícia Classe Especial, aposentado, escreveu este artigo no auge dos seus 83 anos de idade.



Comments are closed.